



Rebecca Ferguson trabalha sem parar há 25 anos, desde seu primeiro papel na série de TV sueca Nya tider aos 15 anos. Com papéis de destaque em filmes de diferentes gêneros, como o musical O Rei do Show, a adaptação da obra de terror de Stephen King Doutor Sono e as franquias Duna e Missão: Impossível, ela interpretou personagens icônicos nos universos mais surreais. Na tela, ela já saltou de telhados e se envolveu em brigas de faca, mas quando Kathryn Bigelow a convidou para fazer o papel de uma mãe trabalhadora em Casa de Dinamite, ela topou na hora.
“Todos os papéis que fiz até hoje foram bem peculiares. Ainda não tive a chance de interpretar um ser humano comum”, diz Rebecca sobre o papel de Olivia Walker, uma mulher que, apesar da normalidade, tem a extraordinária responsabilidade de trabalhar na Casa Branca, onde é capitã da Sala de Situação e supervisiona a resposta dos EUA a ameaças nucleares. “Kathryn Bigelow me queria no filme, e isso para mim já era o suficiente”, completa.

Blusa de tricô de Maximilian Raynor.
Casa de Dinamite faz Kathryn se sentir em casa, pois é um suspense dramático escrito por Noah Oppenheim (Dia Zero, Jackie) sobre a corrida contra o tempo para reagir ao lançamento de um míssil de origem desconhecida contra os Estados Unidos. O projeto conecta Kathryn a temas familiares, pois ela recebeu o Oscar® de Melhor Direção em 2008 pelo drama Guerra ao Terror, que levou também a estatueta de Melhor Filme, e seu suspense político de 2012, também vencedor do Oscar®, A Hora Mais Escura, acompanhou a caçada a Osama bin Laden. Durante as filmagens de Casa de Dinamite, que conta com um elenco repleto de estrelas como Idris Elba, Gabriel Basso, Jared Harris, Tracy Letts, Anthony Ramos, Greta Lee e Jason Clarke, ficou claro para Rebecca que ela e Kathryn compartilham a paixão pela autenticidade no cinema. “Senti desde o início que ela depositava uma confiança muito grande na minha capacidade de desempenhar esse papel. Também deixei claro que eu queria que tudo fosse perfeito. Eu queria pesquisar”, detalha Rebecca.
As duas foram direto à fonte. Kathryn chamou um veterano com 32 anos de experiência na comunidade de inteligência e ex-diretor da Sala de Situação real como consultor. “Eles me colocaram ao lado de Larry Pfeiffer. Ele era o cara. Basicamente, é ele quem Jason Clarke interpreta no filme. Ele teria sido aquela pessoa, e esteve no set todos os dias”, explica Rebecca.

Cardigã de Antonio Marras.

Blusa da Maximilian Raynor.
Equipada com o conhecimento especializado de Larry, Rebecca teve mais liberdade para explorar as emoções de Olivia. “Eu tinha autonomia para dar vida às cenas”, comenta. Ela cita uma das regras primordiais de Larry, que era nunca perder o controle na Sala de Situação. Se você precisar dar um tempo, saia da sala, porque é preciso manter a calma em todas as situações”. A atriz acabou colocando essa regra em prática durante as filmagens. “Há um momento específico no filme em que a tensão é muito alta, eu saio dali e entro em outra sala. Aí a Kathryn perguntou por que eu entrei lá, e eu respondi que senti que era uma situação de emoção extrema. Ela decidiu que ia colocar uma câmera lá dentro e fazer de novo a cena. Ela nos segue, mas ainda está no controle. Ela é a diretora. A parada é séria. Quando a gente se movimenta, ela sente e quer captar nossa experiência para colocar na tela”, complementa Rebeca.
Apesar da intensidade de Casa de Dinamite, o sentimento de amizade marcou o set do filme. O elenco até fazia as refeições junto no refeitório. “Não vi ninguém voltar para o trailer para comer só”, lembra Rebecca. “Todos estavam juntos. Isso fortaleceu o espírito de equipe.” Rebecca lembra em especial dos laços desenvolvidos com os parceiros de cena, Malachi Beasley, que trabalhava em seu primeiro longa-metragem, e Brett Tomberlin, cuja experiência como militar deu um senso de realismo ao projeto. “Entre nós, nos chamávamos de Três Ursos porque fiz um rap para eles sobre 'Cachinhos Dourados e os Três Ursos', e eles acharam engraçado”, comenta.

Além de estreitar relações com os colegas, Rebecca recorreu às próprias experiências. Ela recorda uma cena na qual Olivia coloca o filho (interpretado por Nicholas E. Monterosso) na cama. E reflete: “Naquele breve momento, era eu e minha filha ou meu filho da vida real quando eram pequenos”. Durante os ensaios, ela pediu para o jovem ator pegar um dos brinquedos do personagem. “Eu disse à Kathryn que iria pedir para ele me dar o dinossauro. Ela disse: ‘Que ótimo’. Uma das coisas que Kathryn mais fala é ‘Que ótimo’, o que me faz sentir que posso agir com o aval dela. E se der certo, tudo bem.”
Esse instinto funcionou tão bem que o dinossauro de brinquedo se tornou um elemento recorrente no filme. Em uma cena, Rebecca sugeriu deixar o brinquedo no sapato de sua personagem para que Olivia o encontrasse quando fosse colocar os sapatos de salto alto ao chegar para o trabalho na Casa Branca. “Temos um rastro do filho ao longo do filme. É algo que eu mesma teria feito com muitas coisas da minha filha”, comenta. A dupla adorou tanto que emojis de dinossauro se tornaram frequentes nas mensagens de texto trocadas entre as duas.


Poder colaborar com a diretora ao longo das filmagens de Casa de Dinamite foi um verdadeiro presente para Rebecca. “Tudo nos filmes de Kathryn Bigelow é muito impactante. Você faz parte de uma jornada impactante. Toda a experiência de vê-la dirigir o filme, isso que é emocionante. O processo de estar no ambiente dela me empolgou muito”, comenta a atriz.
Rebecca se impressionou com a direção de Kathryn, a maneira como ela lida com o equilíbrio entre a precisão quase cirúrgica e o caos das emoções humanas. “Eu a via sentada diante do monitor, acompanhando tudo se formar, como uma peça orquestral. Ela diria: ‘Os violinos não estão afinados’ ou ‘O violoncelo não está alto o suficiente’”, comenta Rebecca, imaginando. “Ela fazia ajustes com a câmera ou editava na sala de montagem. Era uma dança entre soldados, atores e câmeras — e ela era a regente.”
As filmagens de Casa de Dinamite foram encerradas há vários meses, mas Rebecca ainda reflete sobre o projeto, tentando entender o que o filme significou para ela e o que ela espera que o filme signifique para o público. Ela diz: “Quando uma ameaça existencial paira sobre nós, as decisões tomadas criam um efeito dominó e consequências para a humanidade”. Mas é ainda mais que isso. Ela destaca: “É um dos filmes favoritos dos quais fiz parte”.
Este artigo foi publicado originalmente na Edição 21 da Tudum Magazine.

















































