





Pode abrir os autos: Habeas Corpus já está em sessão. O primeiro drama jurídico brasileiro da Netflix acompanha Inez Franco (Marjorie Estiano), professora de direito e ex-advogada criminalista que reúne um grupo de estudantes para reexaminar o processo de Jonathan (Hypólito), jovem que afirma estar preso por um crime que não cometeu.

Entre os alunos está a brilhante Marina (Any Gabrielly), que tem motivos pessoais — e secretos — para se envolver na investigação. Esse trabalho também leva Inez a reencontrar o ex-marido e antigo sócio, Murilo (Vladimir Brichta), agora do outro lado da disputa. Já dá para perceber que separar a vida pessoal da profissional vai exigir bastante dessa turma, né?
Inspirada no trabalho do Innocence Project Brasil, a série combina investigação, tensão de tribunal e melodrama para discutir justiça, culpa e reparação. Para conhecer melhor a história e tudo o que ajudou a levá-la à tela, reunimos inspirações, locações e curiosidades dos bastidores.
Ah, e pode ler com tranquilidade porque aqui o seu direito à leitura sem spoilers está garantido.

Inez Franco (Marjorie Estiano) é uma respeitada professora de direito que deixou a advocacia há algum tempo. Na universidade, ela cria um grupo de revisão criminal e leva os alunos a reexaminar a condenação de Jonathan (Hypólito), jovem que afirma não ter cometido o crime pelo qual cumpre pena há seis anos.
Entre os estudantes está Marina (Any Gabrielly), uma bolsista brilhante que tem razões pessoais para se envolver no trabalho — razões essas que Inez desconhece. A investigação também coloca a docente diante de Murilo (Vladimir Brichta), ex-marido e antigo sócio que agora representa o outro lado da disputa. A partir daí, o direito deixa de ser apenas matéria de aula: privilégios, interesses profissionais e relações afetivas passam a pesar sobre cada decisão.



Se você não é do meio jurídico, talvez não saiba o que essas ferramentas significam. Ou talvez esteja se perguntando se elas são sinônimos. A gente te explica: os dois instrumentos têm funções diferentes.
Garantido pela Constituição Federal, o habeas corpus pode ser usado quando alguém sofre ou corre o risco de sofrer uma restrição ilegal à liberdade de locomoção — o famoso direito de ir e vir. Já a revisão criminal permite reexaminar uma condenação definitiva em situações previstas em lei, como quando surgem novas provas de inocência.
É esse segundo caminho que orienta o trabalho da doutora Inez e dos seus pupilos, que analisam os autos do processo de Jonathan em busca de elementos capazes de questionar a condenação — de 47 anos — do rapaz. E por que a série se chama Habeas Corpus, então? Para descobrir, só assistindo na Netflix.
Inez Franco (Marjorie Estiano) é uma ex-advogada criminalista que trocou os tribunais pela universidade. À frente do grupo de revisão, encontra uma forma de pôr seus ideais à prova e encarar feridas que permanecem abertas há anos. Entre os estudantes está Marina (Any Gabrielly), garota inteligente e determinada. Ela tenta conquistar espaço em um ambiente marcado por privilégios e entra no grupo movida por objetivos que mantém em segredo. Do outro lado está Murilo (Vladimir Brichta), ex-marido e antigo sócio de Inez. Carismático e estrategista, o criminalista defende o amplo direito à defesa, mas também enxerga a advocacia como um negócio.

No centro da revisão está Jonathan (Hypólito), jovem que afirma ter sido preso por um crime que não cometeu. Pedro (Danton Mello), antigo colega de Inez e Murilo, hoje é sócio de Murilo e Ana Hueda (Natália Lage). Ele também é pai de Bernardo (Felipe Ricca), um dos alunos envolvidos na investigação. Atenta à reputação do escritório e aos interesses de clientes influentes, Ana procura conter qualquer movimento capaz de ameaçá-los.
Eliane (Naruna Costa) cumpre pena há oito anos, e sua trajetória se conecta a um processo do passado que ainda produz consequências. A turma de universitários também conta com Raquel (Luiza Gabus), Kim (Nicolas Lee) e Lima (Pedro Roza). Paula Cohen, Renata Gaspar e Tato Gabus Mendes completam o elenco da série.
A realidade está na origem da série, mas não dita cada acontecimento. Os personagens e a narrativa são ficcionais, embora o roteiro se inspire em processos reais e no trabalho do Innocence Project Brasil, organização que investiga possíveis condenações injustas e atua para revertê-las.
A trajetória de Jonathan foi inspirada em um processo acompanhado pela associação, mas o personagem não é um retrato da pessoa envolvida no caso de verdade.

A ideia nasceu depois que Luiz Villaça, um dos criadores e diretor-geral, conheceu Flávia Rahal, uma das fundadoras do projeto. “Quando ela falou da quantidade de inocentes presos no Brasil e contou algumas dessas histórias, eu soube que precisava falar sobre isso”, conta. O encontro ainda revelou, segundo Villaça, outra possibilidade para a ficção, a relação desses advogados tidos como bambambãs com estudantes de diferentes origens, desde cotistas até os próprios filhos que, muitas vezes, seguem a carreira dos pais. “Você tem uma mistura de classes sociais, de realidades políticas, educacionais e culturais que é a cara do Brasil.”
Além de inspirar a premissa da série, o Innocence Project Brasil ajudou o elenco e a equipe a entender como a revisão criminal funciona na prática. A organização analisa condenações definitivas e investiga processos em busca de novas provas e, quando reúne elementos que sustentam a inocência de quem foi condenado, atua nos tribunais para tentar reverter a decisão.
Em parceria com a Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, também mantém uma clínica jurídica na qual estudantes participam da análise de processos reais — dinâmica que dialoga diretamente com o grupo liderado pela professora Inez.
Os advogados Dora Cavalcanti, Flávia Rahal e Rafael Tucherman conversaram com os atores sobre motivações, dilemas éticos e as exigências da profissão. Integrantes da equipe ainda acompanharam audiências para observar de perto como o sistema de Justiça funciona.

A pesquisa chegou aos fóruns, às faculdades e à sala de roteiro. Duas frentes de consultoria acompanharam o desenvolvimento da série: o trio do Innocence Project Brasil e outro grupo de advogados, que ajudou com termos jurídicos, esclareceu procedimentos e revisou cenas. Os roteiristas também foram à Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas para conversar com estudantes da clínica mantida em parceria com a associação.
Marjorie Estiano assistiu a partes de três julgamentos e prestou atenção tanto aos argumentos quanto à maneira de apresentá-los. “O ritual de um julgamento e a performance dos advogados foi algo bem singular”, diz a atriz.
“A interpretação, não só enquanto performance, mas enquanto interpretação de texto, das leis, a construção da narrativa propriamente. Guarda algo em comum, a relação do advogado com seu cliente e o ator com seu personagem. A frase ‘Não basta ser verdade, tem que parecer verdade’ saltou aos meus olhos e ouvidos.”

Any Gabrielly acompanhou a revisão de uma condenação injusta e usou a experiência para compreender como o sistema pode reduzir uma pessoa a um processo ou a um número. Hypólito, por sua vez, estudou conceitos e procedimentos jurídicos que também eram desconhecidos de Jonathan e buscou referências em títulos como Tropa de Elite e Olhos que Condenam.
As gravações ocuparam lugares reconhecíveis da capital paulista. A Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, recebeu parte das cenas acadêmicas e jurídicas. A Sala São Paulo e o Instituto de Biologia também serviram de cenário, enquanto uma casa projetada por Paulo Mendes da Rocha, no Butantã, virou a residência de Murilo e Bianca (Renata Gaspar), a nova esposa do advogado.

Como alguns desses edifícios são tombados, a equipe de arte não podia alterar livremente os espaços. Cadeiras, parapeitos e outros elementos de tribunal eram levados para as locações sem interferir na arquitetura original. No Largo São Francisco, as diárias aconteceram durante as férias estudantis e, em sua maioria, à noite, quando havia menos visitantes circulando.
Há ainda um endereço real escondido na ficção: o restaurante da família de Kim (Nicolas Lee) funciona de verdade no Bom Retiro e recebeu pequenos ajustes de cenografia. Encontrar o intérprete do estudante, aliás, exigiu uma busca específica, porque o ator precisava ser jovem e falar coreano.
As cenas foram gravadas em ordem cronológica, uma escolha inédita para a equipe. Isso permitiu que atores e direção acompanhassem a evolução dos personagens conforme a história avançava, mas criou um desafio para a equipe de arte: as mesmas locações precisavam ser montadas e desmontadas várias vezes sem perder a continuidade.
As 401 páginas do roteiro foram transformadas em 527 cenas ao longo de 102 diárias e 72 sets. Ao todo, 1.871 figurantes participaram das filmagens.
E houve pesquisa de campo por convocação oficial, na vida real: enquanto os episódios eram escritos, uma das roteiristas foi chamada pela Justiça para participar de um júri.





A criação da série é de Luiz Villaça, Leonardo Moreira e Donna Oliveira. Villaça também responde pela direção-geral, enquanto Flávia Lacerda comanda parte dos episódios; Moreira assina ainda o roteiro final. Produzida pela Café Royal, Habeas Corpus tem produção executiva de Adriana Tavares.
Você assiste à temporada completa de Habeas Corpus somente na Netflix, vai lá.





















































